IV - Das promessas de ano novo

E as tradições de ano novo que duram, no máximo, até abril

Trocar de calendário faz a gente pensar que tudo vai ser diferente. Cria aquela esperança de recomeço, de uma página em branco onde podemos escrever uma nova história. Uma da qual, quem sabe, não vamos nos arrepender depois. 

 O ano muda e, com ele, aparece a ideia de que podemos ser versões melhores de nós mesmos. Uma versão 2.0, sem falhas e, se dermos sorte, com uma quantidade bem menor de arrependimentos. 

 Então nós prometemos. Com o coração transbordando de empolgação, nós prometemos fazer mais exercício físico. Começar um novo hobbie, sair mais ou, quem sabe, dar uma nova chance para viver um amor bonito. 

 Prometemos sair mais. Dançar mais e conhecer novos cafés, novas músicas e novas pessoas. Prometemos, de um minuto para o outro, fazer tudo aquilo que sempre tivemos vontade e nunca a coragem para começar porque “olha! esse é um ano novo! Agora nós podemos recomeçar, e sem culpa dessa vez”. 

 Mas será que podemos, mesmo? 

 Uma simples mudança de calendário pode mesmo representar uma mudança tão profunda e drástica na vida de alguém? 

 Sei lá. Acho que gosto mais de pensar em pequenas mudanças. Em pequenos e cotidianos recomeços que, juntos, se tornam uma mudança importante e significativa. Tipo trabalho de formiguinha, mesmo. 

Apesar disso, eu fiz uma promessa também. 

Uma mais simples, mas que espero de todo coração conseguir cumprir: ter um ano tranquilo. 

2025, por mais alegre e divertido que tenha sido em muitos momentos (e ele foi!), foi um ano muito turbulento, pra mim. Um ano de provações e recomeços. Eu escrevi um livro (e espero poder compartilhar mais dele com vocês esse ano!), mas também tive de lidar com tantas coisas que em alguns momentos pareceu que eu ia explodir. Literalmente desmoronar, igualzinho um castelo em ruínas. 

Então esse ano o que eu quero é tranquilidade. 

Quero encontrar a felicidade nas coisas simples da vida e passar tempo com quem importa.

Quero escrever um novo livro e terminar de editar aquele que foi a minha companhia boa parte do ano passado. 

Quero andar por aí num fim de tarde e encontrar um café fofinho para parar e descansar da correria por um minuto. 

Resumindo, quero só um viver tranquilo. Um viver que me permita respirar sem peso. 

Eu quero que 2026 seja gentil, apenas.