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VI - Das pérolas e surpresas de editar um livro
Porque às vezes é preciso começar de novo pra terminar melhor
Eu comecei a escrever esse livro quando estava fora de casa. Em uma época de esgotamento, quando a minha mente estava em branco e eu começava a acreditar que, talvez, contar histórias não fosse mais pra mim.
Eu tinha — depois de muita luta comigo mesma — desistido do meu último projeto. Entendi que aquela era uma história com uma carga emocional grande demais para o barquinho da imaginação conduzido por mim naquele momento e que o melhor a fazer era deixar aquela ideia para um outro dia.
Não foi fácil. Foi preciso uma boa quantidade de conversas e choro. Foi preciso ir para longe e respirar fundo.
E aí, justo quando eu acreditei que os deuses da criatividade haviam me abandonado de vez, lá estavam eles, os protagonistas desse novo livro: um príncipe sem reino e um outro com uma memória toda embaralhada, esperando pacientemente que eu lhes desse uma gota de atenção.
De lá para cá foram quase seis meses de escrita do primeiro rascunho, e já se vão dois e meio de edição.
Eu desmembrei capítulos. Troquei coisas de lugar. Acrescentei cenas e sumi com algumas que, depois de uma segunda ou terceira leitura, não faziam sentido continuarem no arquivo completo.
Reencontrei em mim uma voz perdida.
Redescobri trechos que, contra as possibilidades pessimistas da minha cabeça, estão realmente bons. A verdade é que eu não esperava por isso. Depois de tanto tempo sem lançar nada, sem passar de um primeiro rascunho, preciso confessar que guardava certo medo da hora da edição.
Sei lá, achei que fosse odiar tudo. Que ia sentir vontade de desistir e acabaria engavetando mais esse projeto. Não por falta de vontade, ou falta de amor pelos personagens e pela história. O problema, na verdade, é bem mais intrínseco: a falta de confiança. A síndrome do impostor que, vez por outra, leva a melhor sobre mim.
Mas eu tive uma surpresa. Uma grande e grata surpresa.
Encontrei entre as minhas próprias palavras, o fio dessa história que é tão especial pra mim. Encontrei quem me ouvisse e compartilhasse comigo do amor por esses meninos, e lembrei que é sempre mais fácil — e melhor — seguir com as coisas quando sentimos que não estamos sozinhos nessa caminhada.
Enquanto escrevo esse trecho, estou chegando no ⅓ do livro editado. Ainda falta um bom pedaço, mas as dúvidas estão cada vez mais baixas na minha cabeça.
Sim, ainda tem muita coisa que vão sumir, reaparecer ou trocar de lugar. Ainda há muitos processos a serem feitos e próximos passos a serem planejados. Mas estou confiante. Em mim. E neles.
A cada novo capítulo que eu edito, estou mais e mais confiante de que tudo vai dar certo e de que, em breve, vocês também vão poder ouvir as vozes do Lírio e do Narin a lhes contar uma história.